A BPro, a cada dia que passa, se especializa mais em um treinamento físico onde se estabelecem padrões de movimento que priorizam e respeitam as funções articulares, sem a utilização de máquinas de musculação. Ao longo dos anos, passei por mudanças de ponto de vista, e a evolução constante na quebra de meus próprios paradigmas, me levou a procurar ainda mais, a melhor forma de ajudar as pessoas a se tornarem saudáveis de modo seguro.

Iniciei com uma ideia de treinamento em forma de circuito (ainda o Treinamento Funcional é visto desta forma pela maioria), pois naquela época eu enxergava o TF como um treino de alta intensidade com o objetivo exclusivo de emagrecimento.

Logo após esta fase, percebi que a qualidade no movimento deveria vir em primeiro lugar, e os objetivos propostos pelos alunos deveriam partir desta premissa. Neste momento, o olhar passou a ter foco no movimento perfeito. Olhava para algum aluno treinando e sempre tentava achar algo para corrigir, para melhorar. Isto não mudou e ainda acredito que termos a correção do movimento como prioridade, seja um excelente caminho técnico a ser continuado. Porém, com o tempo, percebi que somente corrigir e não deixar o aluno treinar, mesmo que errando em alguns momentos, se tornava “chato” para aquela pessoa que estava conhecendo uma nova alternativa de treino, e que no fundo queria treinar de verdade. Foi então que percebi que as correções deveriam sim acontecer, porém com um pouco mais de calma, para não se tornar algo desmotivador para o aluno.

Acredito, que este foi um momento importante em meu processo de evolução, e mais ainda, quando o CrossFit passou a fazer parte dos meus treinos. Posso dizer que foi uma fase onde aprendi muito a ter senso crítico e a entender melhor o que é bom-senso e o que é senso-comum. Fiz 4 cursos de CrossFit, tanto no Brasil como nos EUA. Queria entender de verdade o que era este tipo de treino. Realmente percebi o que eles chamam de “comunidade CrossFit” e passei um bom tempo realizando WOD’s e tentando entender como que se programavam estes tipos de treinos. Realmente é motivador ao extremo.

Todavia, com o passar do tempo, percebi que algumas questões de correção que eu tanto prezava estavam se perdendo. Foi aí que dei início a um novo processo, o retorno aos básicos. Percebi que se eu fosse forte em primeiro lugar, poderia executar qualquer tipo de treino. Comecei a treinar buscando cada dia ser mais forte e junto a isso, organizava treinos de condicionamento com exercícios do CrossFit. Foi assim que entendi, que o que me dava real prazer, era me tornar forte nos movimentos básicos: terra, supino e agachamento. Treinando assim, todos os outros exercícios se tornaram mais fáceis.

Ano passado conheci mais a fundo a escola de força StrongFirst e, através de um de seus Masters, Fabio Zonin, comecei a entender o que realmente é treinamento de força, e como maximizar a utilização de ferramentas como kettlebell, barra olímpica e o próprio peso corporal.

Hoje meus treinos são baseados em planilhas programadas para 10 semanas, e venho testando formatos de treinos para poder passar para os alunos da BPro que desejam avançar em seus treinamentos.

Este texto tem como objetivo principal, mostrar que todos desencadeiam seus próprios processos de entendimento do treinamento. Alguns passam mais tempo em uma fase e outros evoluem mais rápido. Ninguém é o dono da verdade. A velocidade com que a informação chega até nós hoje, é muito rápida, e fechar os olhos para o que vem pela frente talvez seja o caminho mais fácil, mas certamente não é o mais acertado.

Seja inteligente: Quebre paradigmas. Mas cuidado! Não vá se apegar a outros.

Professor Tiago Proença